Entrevista a Ricardo Ferreira

Escrito por Oscar. Publicado en Entrevistas



Nombre: Ricardo Ferreira
Edad: 38
Profesión: Treinador e Investigador
Ricardo Ferreira
 
Un futbolista
Dada a diversidade de funções, qualidades e diferentes contextos que podemos encontrar no jogo, é difícil e talvez até injusto esse destaque. No entanto, confesso que Messi seduz-me pela forma como consegue fazer a diferença num jogo cada vez mais evoluído no momento defensivo, construindo, criando e finalizando, na maior parte das vezes quando o espaço e o tempo não existem. Mas também devo destacar a mentalidade e a finalização de Cristiano Ronaldo. Conseguir o que conseguiu numa era em que convive com Messi, é único. Mas provavelmente a chave também está aí... a competitividade empurrou os dois mais além.
Un futbolísta con el que has coincidido
Tive a felicidade de trabalhar com muitos jovens de muita qualidade, mas destaco um, não só pelas qualidades claras no Futebol, mas principalmente pelas qualidades humanas: Ivo Rosa, actualmente no SG Sacavenense. Manteve um crescimento, uma forte mentalidade, não se deixou derrotar pelas adversidades, demonstrando ainda sentido colectivo e foco no seu percurso no futebol de formação. Um exemplo para todos os que convivemos com ele. No seu jogo, destaca-se pelos seus recursos individuais, mas acima de tudo o que considero decisivo do jogo, a inteligência táctica. E neste âmbito, destaco uma qualidade cada vez mais rara pela forma como o futebol tem sido abordado nos últimos tempos: a pausa. Num jogo cada vez mais veloz por influência da dimensão física e mental e menos pensado, o Ivo sabe quando temporizar, acelerar, soltar, etc. Detém para mima a intensidade... táctica, a decisiva no jogo. É para mim um jogador que transporta a cultura de Cruyff.
Un entrenador
É difícil destacar um, porque muitos contribuíram para a evolução que o jogo levou sob diferentes aspectos, influenciando assim, as minhas ideias. De um modo geral, as lideranças de Bill Shankly e Alex Ferguson, as ideias de Rinus Michels e Arrigo Sacchi, e actualmente, Mourinho, Bielsa, Klopp. E obviamente... Guardiola, que talvez tenha sido aquele que conseguiu manter um maior equilíbrio nas dimensões em que acredito que um treinador pode fazer a diferença, e pela ruptura que protagonizou no jogo. Hoje, Tuchel e Sampaoli por quererem aumentar a fasquia. Mas é incontornável acrescentar um nome, que noutro âmbito, protagonizou a maior ruptura metodológica que o futebol viveu: o professor Vítor Frade.
Un gol
O segundo golo de Maradona contra a Inglaterra no México 86. Foram muitos os momentos de génio do argentino, mas ali conseguiu resolver, sozinho, todos os problemas ofensivos: recebe desenquadrado ainda no seu meio-campo, sai da pressão, constrói, cria e finaliza. Incrivelmente, em 2007, Messi protagoniza uma situação muito semelhante...
El mejor sistema de juego
O modelo do Ajax e da selecção holandesa da década de 70 e mais tarde, de 90, em 1:3:4:3, sempre me seduziu. Pelo equilíbrio posicional em função do espaço do campo e pelo potencial que trazia à equipa, nomeadamente no momento ofensivo do jogo. Porém, hoje, cada vez menos acredito em sistemas e mais em ideias ou princípios. Se pensarmos bem, uma equipa, conforme as suas ideias, apresenta estruturas, portanto sistemas, muito diferentes ao longo do jogo. Muito provavelmente ataca em determinadas linhas e organização e defende noutras. Porque até no momento defensivo, é normal vermos uma equipa a pressionar alto o seu adversário numa determinada estrutura, e depois a defender junto à sua área noutra. O sistema dependerá do momento do jogo ao qual tirarmos essa “fotografia”. O jogo é dinâmico, portanto acredito em ideias para os seus momentos e sub-momentos, que levam a... estruturas, sistemas momentâneos. Sobre essas ideias, sempre que estrategicamente seja possível, ter a bola, fazê-lo o máximo de tempo possível e procurar recuperá-la o mais depressa possível. Quando isso não for possível, defender bem, colectivamente em função da bola e do espaço, portanto, de forma muito organizada e solidária.
Una jugada de estrategia
São sub-momentos do jogo, que apesar de diferenciados, são tão importantes como os outros, portanto devemos-lhes garantir espaço no planeamento do ciclo semanal de treino. Mas claro, esse tempo, os conteúdos, e a forma como os treinamos, sempre em função do tempo disponível e do escalão etário em que trabalhamos.
Equipo de la categoría
Sinceramente, das que vi jogar ao vivo, nenhuma que me tenha feito pensar... “é para para aqui que pretendo evoluir”.
El club de la historia


• Ajax e selecção holandesa de Rinus Michels (70’s) e mais tarde o Ajax de Van Gaal (90’s) – pelas ideias de ruptura (que ainda hoje o são), nomeadamente pela mentalidade ofensiva que protagonizavam.
• A. C. Milan de Arrigo Sacchi – pela revolução que promoveu no momento defensivo do jogo. A passagem da defesa individual para a zona, ou seja, para uma ideia colectiva do momento defensivo.
• F. C. Barcelona de Josep Guardiola (2008-2012) e consequentemente, as selecções espanholas – pela ruptura na forma como se jogava naquela altura, pela forma como mesclou boas ideias, ofensivas e defensivas, pelo controlo e domínio que exercia. Levou também a que as outras equipas tivessem que evoluir.

Futbolista de la historia
Dos que vi jogar, seria fácil dizer Maradona. Mas prefiro homenagear Johan Cruyff até porque nos deixou à pouco tempo. Cruyff aliou talento a uma consciência sobre o jogo, tornando-o até um veículo político, quer se concorde ou não com as ideias que defendia. No fundo, Cruyff ajudou a criar uma cultura diferente, que me seduz, e fê-lo como jogador, treinador e pensador. No fundo, como diria Vítor Frade, Johan Cruyff, para além do “saber fazer” tornou-se um dos mais revolucionários no domínio do “saber sobre o saber fazer”.
Jugador con una gran proyección

Dos que mais tenho visto jogar:
• Bernardo Silva (Mónaco), muitos recursos individuais, mas conjugados com uma enorme inteligência no jogo.
• Gelson Martins (Sporting), pela forma como desequilibra e cria situações ofensivas, mas principalmente, fazendo-o com inteligência, perdendo poucas vezes a bola, o que é raro num jogador com as suas características.
• Victor Lindelof (Benfica), apesar de Defesa-Central, pela qualidade que acrescenta ao sub-momento de construção, pela forma inteligente como atrai, conduz, realiza passes verticais, etc. Já o observei a conduzir até à última linha adversária e procurar a tabela e penetração! Um Defesa-Central...
• Grimaldo (Benfica), como defesa-lateral, tem qualidades raras no momento ofensivo, como a exploração dos espaços interiores, muita inteligência e recursos técnicos. Perante isto podia revelar maior compromisso como momento ofensivo, mas é extremamente competente e revelou evolução nos princípios defensivos.
• Ederson (Benfica), não sendo especialista em Guarda-Redes, não vejo nele defeitos ou inabilidades. Muito forte em tudo o que é fundamental num Guarda-Redes, tem ainda uma invulgar qualidade no passe longo e uma maturidade e controlo emocional invulgares para a idade.
• André Silva (Porto), pela maturidade que já revela e conhecimento do jogo e interpretação dos momentos e espaços de finalização.
• Dembélé (Dortmund), cada vez mais raro, o perfil do jogador de “rua”. Desconcertante, imprevisível e uma enorme bagagem de recursos individuais. O jogador que irá ser necessário para acrescentar criatividade aos momentos mais difíceis de criação.

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Un momento deportivo
A vitória da selecção Portuguesa no Euro 2016. Não jogando o futebol que idealizo, demonstrou sentido colectivo, coesão, liderança e superação. Associando isso ao contexto em que o torneio era jogado, ao feito histórico, às consequências futuras que poderá ter no futebol português, mas também sociais e históricas para o próprio país, afirmo que foi, como espectador, o momento desportivo mais marcante que vivi.

Como treinador, na época 2014/2015, com os Juvenis do SG Sacavenense, que com ideias em que acredito, conseguimos competir, em desempenho e rendimento, de igual para igual com clubes como Benfica e Sporting, que dispõem de recursos e consequentemente potencial, completamente diferentes.

Un consejo
Não subvertam os valores e ideias em que acreditam. Não creio que o sucesso tenha que ser alcançado a qualquer preço. Por outro lado, se trabalham no futebol de formação, tenham sempre em mente que a criança não é um adulto em miniatura, e que a realidade desse contexto é completamente diferente do futebol sénior e de rendimento.

“É como tudo no Futebol, e na vida. Precisas de observar, precisas de pensar, precisas de te mover, precisas de encontrar o teu espaço, precisas de ajudar os outros. No final é muito simples.” Johan Cruyff

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Agradeço o interesse nas minhas ideias e trabalho, desejando os maiores sucessos desportivos e profissionais.

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